Provérbios 16.18:
A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda.
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A vida cristã é única. Em Romanos 10.9-10, Paulo ensina que ser salvo, ter seus pecados perdoados, exige uma confissão pública como reflexo de uma transformação interna poderosa a nível de coração. Ou seja, Paulo está ensinando que receber e confessar Jesus como Salvador e Senhor nos salva da condenação justa por nossos pecados, mas também nos habilita, aqui e agora, a uma experiência de vida completamente nova, que surge a partir de um novo nascimento conforme o próprio Senhor Jesus ensinou em João 3.5-7. Esse novo nascimento é uma obra do Espírito Santo que promove em nós uma transformação radical a respeito de como nós enxergamos e entendemos todas as coisas: quem somos, quem Deus é, o que são todas as coisas e qual nosso propósito último. É uma transformação radical em nossa cosmovisão.
Também vemos essa transformação como o ato de Deus nos dar um novo coração, um de carne, conforme a promessa de Ezequiel 36.26. Isso é o mesmo que dizer que a obra salvadora de Deus não apenas garante a salvação do eleito, mas garante também que todo aquele que verdadeiramente confessa e vive Jesus como Salvador e Senhor, aqui e agora, viverá em um processo de santidade de vida. O que não significa tornar-se perfeito de uma hora para outra. Significa, contudo, uma nova vida no Espírito, conduzida por Ele como sinal da nossa filiação divina, conforme Paulo afirma em Romanos 8.14. Aliás, ainda no capítulo 8 dessa carta, o apóstolo inspirado e autorizado por Deus ensina que “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8.8), o que reforça o conceito de novo nascimento, uma conversão completa ao senhorio de Cristo.
Esse processo de conversão tem dois aspectos importantes para ressaltar. O primeiro é o da busca por estágios mais altos de santidade e obediência a Deus, numa clara rejeição das paixões da carne, não para ganhar status diante de Deus e muito menos para colaborar com sua salvação, afinal de contas, os eleitos são salvos pela obra exclusiva e unilateral do Deus Salvador (cf. Jonas 2.9; Salmos 3.8; Ap 7.10; Efésios 2.8-9). Logo, a busca pelo aperfeiçoamento da santidade e da obediência a Deus são frutos de uma mente e um coração renovados, guiados pelo próprio Deus na pessoa do Espírito Santo, que agora compreendem que a liberdade da vida consiste exatamente nisso:
Ser livre é ser santo, ser feliz é ser obediente.
Arquiness
Esse aspecto do senhorio de Cristo é a validação do nosso próprio amor por Jesus, afinal Ele mesmo ensinou que aqueles que o amam são aqueles que o obedecem, conforme João 14.23.
O segundo aspecto que a redenção promove naquele que confessa e vive Cristo, é o da renúncia aos pecados que antes eram vividos com prazer, sem moderação e, o pior, com orgulho. Essa altivez do espírito é o abismo que separa o ser humano caído de um relacionamento com o Deus vivo. Bruce Waltke descreve precisamente o significado da postura de quem vive com orgulho do pecado, ele diz o seguinte ao comentar Provérbios 16.18:
“Em vez de olharem para onde estão indo, em desafio ao primeiro princípio da sabedoria, os arrogantes levantam seus olhos acima de Deus e da humanidade e tropeçam para a sua perdição”.
Bruce Waltke
Ou seja, é um comportamento oposto àquele descrito em Provérbios 15.33 a respeito daquele que ama ao seu Senhor e Salvador: “O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e a humildade precede a honra.
O domínio do pecado foi destronado do coração daquele que é salvo e tem agora um relacionamento com Deus em espírito e em verdade, conforme o Senhor Jesus nos ensinou quando falava a respeiro dos verdadeiros adoradores que o Pai procura em João 4.23-24. Aquele que confessa Jesus como Salvador e Senhor passa a caminhar em arrependimento profundo e sincero de tudo aquilo que a Palavra do seu Deus diz que é pecado, desde uma pequena mentira até os atos imorais mais escandalosos, desde um simples pensamento de cobiça até as motivações imorais mais profundas do coração. Tudo passa a ser alvo do escrutínio das Sagradas Escrituras, revelada e autorizada para formar o verdadeiro homem e mulher de Deus (2Tm 3.16).
Esses são os verdadeiros filhos de Deus, aqueles que se aproximam do grande trono de graça do Altíssimo para receber misericórdia e graça em todas as suas necessidades de aperfeiçoamento, seja para a santidade, seja para a obediência (Hebreus 4.16). Isso exige do crente uma postura absolutamente humilde e mansa, ao mesmo tempo que promove uma rejeição clara ao orgulho seja lá para o que for, especialmente para o pecado.
O Senhor Jesus ensina que Mateus 23.12 que aquele que se exalta a si mesmo, uma postura ativa do orgulho, será humilhado. Contudo, aquele que se humilha a si mesmo, uma postura ativa da humildade, esse será exalta. Os atos de humilhar e exaltar nesse contexto são da parte de Deus. O Senhor resiste os que são orgulhoso, mas dá graça aos que são humildes porque se sujeitam a Deus, seus mandamentos e senhorio, conforme Tiago 4.6-7.
Portanto, o cristão verdadeiro não manifesta orgulho, não celebra o orgulho e não apoia o orgulho, especialmente quando esse orgulho é a bandeira que exalta o pecado. Somos chamados para ser um povo santo, separado, de propriedade exclusiva de Deus afim de anunciar a maravilhosa graça dAquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, conforme ensina 1 Pedro 2.9. Fomos chamados para em todos os atos de nossas vidas, viver para a glória do nosso Salvador, conforme 1 Co 1.31. Fomos chamados para negar nossos desejos e paixões mais profundas para seguir o Cristo, conforme Ele mesmo ensinou em Lucas 9.23. Fomos chamados para ir por todo o mundo e pregar esse Evangelho e fazer discípulos nesses termos bíblicos, conforme a ordem do Senhor Jesus em Mateus 28.18-20.
O cristão verdadeiro sabe que o “Orgulho precede a Queda”, mas que o temor de Deus é o começo de toda sabedoria e a humildade precede a honra”. Por isso, nós discípulos de Cristo andamos sempre em humildade, respeito e temor diante do nosso Senhor e Deus. Nisso, temos felicidade abundante, amor ilimitado, acesso à graça, misericórdia, auxílio, poder e vida eterna.
Recusar o orgulho é um passo importante para iniciar a jornada até a graça.
Sole Deo Gloria
Ótima reflexão. Deus abençoe grandemente por mais esse canal.
Louvado seja Deus! Muito obrigado, Celeste! Em breve teremos uma nova versão do site. Por favor, aguarde! Abs