Muitos têm nos perguntado se nós não temos medo de ir para o campo missionário no Paquistão.
Nossa resposta é sempre a mesma: “O privilégio de servir ao Senhor Jesus é maior do que o custo”, citando uma fala da missionária Helen Roseveare.
O medo é um sentimento que faz parte da nossa condição caída. Adão e Eva tiveram medo quando ouviram a voz de Deus logo após a Queda (Gn 3.8-10). E que medo foi aquele? Foi o medo da morte prometida por Deus caso eles pecassem. Nós temos medo por causa do pecado que carregamos conosco e que em algum momento nos levará à morte. O medo não apenas nos paraliza, ele também nos torna egoístas, covardes, irresponsáveis e com motivações auto centradas. O medo nos faz querer estar longe da presença, da vontade, de Deus.
A redenção em Cristo
Para entender como combatemos esse tipo de medo, precisamos falar da redenção que temos em Cristo. A redenção inicia no discípulo um processo que paulatinamente lança fora o medo de estar com Deus, de servi-lo, de fazer a sua vontade. A restauração de Cristo em nós lança fora a cosmovisão do medo e vai construindo a cosmovisão da coragem, da ousadia, da entrega, da abnegação e da submissão ao Senhor Deus.
O amor de Jesus lança fora o medo que paraliza, que procura se esconder e fugir das responsabilidades que temos como cidadãos do Reino.
A salvação que recebemos gratuitamente do Senhor nos ensina e vai moldando nosso coração a não ter medo sequer da morte, porque na verdade, o aguilhão que a morte tinha para manipular o medo que ainda carregamos, esse aguilhão ela perdeu para os que estão salvos em Cristo (1 Co 15.55). Essa moldagem do coração acontece em um processo da graça em nossas vidas. É uma estrada que Deus já construiu para nós e que a cada dia vai se revelando na medida em que avançamos no conhecimento e na confiança do Senhor Jesus.
A maturidade espiritual
Nós podemos chamar esse processo de maturação da vida cristã. O discipulado com Cristo que todos nós devemos passar. Essa etapa não é igual para todos. Para alguns é mais intenso, para outros menos. Por isso, não se culpe se o seu processo não estiver como o do fulano ou do ciclano, preocupe-se apenas em estar avançando no seu processo. O verdadeiro perigo é a estagnação.
Agora, quero direcionar essa reflexão exclusivamente para você.
Talvez você não esteja indo servir no campo missionário transcultural e de perseguição como Gy e eu, mas certamente como cristão você tem seus desafios locais. Sei também que nesses desafios da espiritualidade muitas vezes você deve sentir medo de avançar. Por exemplo, o que você faz ou como se sente quando no seu trabalho ou círculo social lida com não-crentes que escarnecem a pessoa do Senhor Jesus ou de qualquer ponto da doutrina cristã naquelas rodas de conversa? Fica imóvel? Sorri amarelo? Entra mudo e sai calado? Segue a linha do politicamente correto?
Ou ainda, o que você faz quando se vê entre a “cruz e a espada”, ou seja, entre uma oportunidade de testemunhar da sua fé se posicionando contra o mundanismo ou cometer o sacrifício moral e espiritual para ser aceito, promovido, bem relacionado? O medo é capaz de nos levar ao pecado fazendo com que a gente simplesmente não faça nada do que sabemos que temos que fazer, conforme 1 Pe 3.15 ordena:
antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós
“Santificar a Cristo em nosso coração” é a ordem da passagem, nossa responsabilidade nesse processo de amadurecimento da vida cristã.
A primeira coisa a dizer a todos que já passaram ou que estão experimentando o medo em qualquer dimensão da vida a ponto de travarem e não conseguirem se manifestar como cristãos, o primeiro conselho a você é: Livre-se da culpa.
Todo discípulo verdadeiro de Cristo tenderá a sentir culpa por não ter conseguido defender sua fé ou por não conseguir manifestá-la de forma adequada em situações de confronto. A culpa é uma artimanha de satanás para nos deixar inertes ao processo de maturidade. Ninguém se avança com culpa.
A maturidade cristã tem menos haver com o envelhecimento da idade e muito mais com a envergadura espiritual, ou seja, com o conhecimento, a confiança e a intimidade com Jesus. O fato é que nós crentes só conseguiremos amadurecer na fé a medida em que esse conhecimento/relacionamento acerca de Jesus se tornar mais consistente em nossas vidas. Não dá para brincar de cristianismo, é preciso viver Jesus.
Assim, quando falharmos em responder ao confronto devemos saber que a culpa virá e que devemos nos livrar dela para não ficarmos parados, inertes, mastigando uma situação repetidamente. Sabemos o que devemos fazer: arrepender, orar, conhecer, refletir, praticar, conhecer mais, refletir mais, praticar mais, repetir o processo com mais intensidade e profundidade em todas as etapas anteriores. Faça isso e desfrute de um novo estágio de comunhão com Ele.
A grande lição é
É preciso ter a consciência de que falhamos não porque falta amor de Deus por nós. Falhamos porque nossa imaturidade nos impediu de confiar em Cristo. Deixamos de confiar em Jesus porque o conhecimento que temos da sua pessoa e da sua obra ainda não é consistente em nós.
O medo é um sentimento da Queda que pode e deve ser superado pela convicção de quem Cristo é, o que Ele fez, o que Ele representa e do que Ele é digno, ou seja, de tudo. Esse é a base para entender que o “Privilégio é sempre maior do que o custo” ainda que o custo seja a vida, o conforto, os prazes, os direitos que temos, enfim, na presença de Jesus não há mais eu, apenas Ele.
Lembre-se que:
No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. 1 Jo 4.18.
texto excelente!!sempre falo que desejaria ter vcs por perto… agora tenho certeza que penso de forma egoista…quero muito bem vcs dois … perto seria muito bom!!orarei por vcs!!sei que atendem ao Deus Soberano e Senhor das nossas vidas!parabens! Aprenderei ama lós a distância!!abs com carinho e admiração
Excelente. Muitas vezes justificamos um medo pecaminoso como prudência, cuidado… Que nos arrependamos, oremos, conheçamos, reflitamos e pratiquemos, com a graça do Senhor.
Isso mesmo, Camila. Deus te abençoe!
Louvo a Deus por suas vidas! Texto verdadeiro! Os atos e palavras de vocês servem para nos tirar de nossa zona de conforto e fazer em nosso meio o que Jesus faria. Deus os abençoe nessa nova jornada.
Amém! Louvado seja Deus!